NOTA DA ADUFCG SOBRE O CRIME AMBIENTAL DA VALE S.A. EM BRUMADINHO – MG

31 de janeiro de 2019

É em estado de profunda consternação que o Brasil e o mundo assistem, desde o dia 26 de janeiro, ao desolador cenário de mais uma ruptura criminosa de barragem a ceifar centenas de vidas humanas e destruir construções e ambientes naturais, sua fauna e flora. O que houve em Brumadinho, Minas Gerais, infelizmente, já tem precedentes. Há pouco mais de três anos situação idêntica ocorreu a cerca de 100 quilômetros de dali, em Mariana, cuja lama tóxica, além de levar consigo 19 vidas humanas, destruiu o rio Doce e todo o seu ecossistema, naquele que foi um enorme CRIME ambiental no Brasil. Eufemismos como desastre ou catástrofe são substantivos inadequados para descrever o que na verdade se trata de um CRIME, resultado da negligência, ganância, desrespeito e total irresponsabilidade quanto os interesses dos cidadãos. O que, lamentavelmente, na Paraíba não é estranho, estado vitimado há muitos anos pela exploração criminosa de trabalhadore(a)s e do ambiente natural por causa dos diversos minérios nele encontrados.

Agora, o dano se materializa nas mortes de centenas de trabalhadore(a)s da empresa e demais trabalhadore(a)s da cidade de Brumadinho soterrado(a)s pela mesma lama (neste momento, já são mais de 60 mortos e 305 desaparecidos). Os reflexos ambientais, supostamente menores que os de Mariana, também não são nada desprezíveis: o rio Paraopeba foi atingido de modo semelhante ao Doce e levará incalculável tempo para ser recuperado. Outrossim, suas águas são despejadas no São Francisco, que energiza, alimenta e dessedenta cerca de 20 milhões de pessoas, entre elas (depois das obras da transposição) toda a população de Campina Grande e adjacências. Ou seja, em algumas semanas estaremos ingerindo metais pesados provenientes desta infâmia.

A culpa desse fato abominável recai diretamente sobre a empresa Vale S. A. e, indiretamente, sobre o sistema político-jurídico associado ao capital minerador que tem facilitado e beneficiado permanentemente, desde a colonização, a exploração mineral e a consequente expropriação da força de trabalho, coadunando com perdas humanas e ambientais irreparáveis e legitimando o nosso subdesenvolvimento.

Diante disso, a ADUFCG, Seção Sindical do ANDES-SN, vem a público repudiar o crime cometido pela Vale S.A., que representa a sanha do Capital sobre as vidas e sobre a natureza, sustentando a ética do lucro acima de tudo e de todo(a)s. Nossa seção sindical também repudia as autoridades públicas de Minas Gerais e da União, que ao longo de muitos anos, em sucessivos governos, têm sido lenientes quanto a aplicação das leis, bem como cedido criminosamente aos lobbies destas empresas, tornando-se assim, corresponsáveis pelo desastre, portanto, cúmplices do CRIME.

Por fim, nos solidarizamos com todos os sobreviventes e os familiares das vítimas. Reivindicamos todo o rigor da lei na punição exemplar da empresa e seus gestores, a multa e prisão dos criminosos, restituição material e financeira às vítimas e familiares dos mortos e desaparecidos, além de uma total reforma da legislação que regulamenta esta prática econômica no Brasil. Exigimos que nunca mais se repita tamanho vilipêndio ao povo brasileiro e ao seu patrimônio. A dor de Brumadinho é a de todo(a)s nós!

Campina Grande, 28 de janeiro de 2019.

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