NOTÍCIAS

Ciclo de Debates discute contrarreformas, desmonte do serviço público e ataques aos direitos

As contrarreformas da previdência e Trabalhista, os ataques aos direitos dos trabalhadores e o desmonte dos serviços públicos estão interligados pela lógica neoliberal de redução do estado e do aumento da exploração dos trabalhadores. Esta interligação foi uma das principais abordagens do Ciclo de Debates Nenhum Direito a Menos!, realizado pela diretoria da ADUFCG, na quinta-feira passada (03/08), nos campi de Sousa e Pombal.
Os debatedores, os professores Washington Farias (UFCG), Luciano Queiroz (UFRCG) e João Tavares (Oposição Sintepb) iniciaram o Ciclo no Campus de Sousa, pela manhã, falando para uma plateia integrada por estudantes, professores e técnicos, ressaltando o atual momento de intensos ataques aos direitos dos trabalhadores.
Washington Farias abriu a exposição explicando os motivos da realização do Ciclo de Debates pela ADUFCG e como o sindicato tem atuado nos últimos anos em defesa dos direitos dos trabalhadores e dos professores das instituições federais de ensino superior e da educação pública.
O professor Luciano Queiroz fez um histórico dos ataques aos direitos dos trabalhadores e dos desmontes que os serviços públicos já sofreram, apontando que sua origem no país está na década de 90, quando da implantação de várias políticas neoliberais pelo Governo de Fernando Henrique Cardoso, como por exemplo, as privatizações de grandes empresas estatais.
Luciano explicou que estas políticas de redução do estado e intensificação da exploração dos trabalhadores ocorrem em escala mundial e que seu principal objetivo é aumentar os lucros da burguesia, sendo que para isto ocorrer os trabalhadores e pobres sofre uma redução de seus direitos, a intensificação do trabalho e a redução dos sua renda.
Ele também apontou que o atual momento político é uma consequência desta política neoliberal, pois o golpe que retirou a presidente Dilma e colocou Temer no poder foi articulado pelos grandes capitalistas para colocar na presidência um agente que pudesse acelerar a implantação das reformas, que permitirão o aumento de seus lucros.
Educação
No panorama da Educação pública, Luciano Queiroz, apontou como consequência das políticas neoliberais a implantação da PEC 55/2016, que congelou os gastos no setor público por 20 anos e de outras leis que permitem a cobrança de mensalidade nos cursos de pós-gradual e que podem também implantar as mensalidades na graduação.
Entre as consequências do congelamento do orçamento federal aprovado na emenda a Constituição 55 na educação superior federal estão a falta de verbas para o funcionamento das universidades federais, corte de bolsas e de recursos para assistência estudantil.
A recente Lei da Terceirização, segundo ressaltado por Luciano Queiroz, também permitirá a entrada no serviço público de pessoas sem o concurso público, que praticamente serão extintos, abrindo passagem para as práticas clientelistas operadas por organizações sociais.
Paraíba
O professor João Tavares falou em seguida, apontando que o Governo do Estado tem reproduzido a mesma lógica neoliberal que atinge os servidores e os serviços federais. Ele lembrou que quando assumiu o Governo o gestor Ricardo Coutinho demitiu de uma só vez todos os servidores precarizados da educação, só readmintindo parte deles depois de uma grande pressão política da categoria.
O sindicalista também lembrou da terceirização do Hospital de Trauma de João Pessoa como outro exemplo da transformação do serviço público estadual em mercadoria e explicou em detalhes a mais nova investida do Governo, que é a entrega da gestão de centenas de escolas estaduais para o controle de organizações sociais, as OS`s.
João Tavares disse que pelo nível e a intensidade dos ataques aos direitos da população e dos trabalhadores o país já deveria estar vivendo “uma revolução se a população estivesse conscientizada e as escolas públicas tivessem realizado seu papel de construir cidadãos com capacidade crítica e de indignação”.
Tanto no Campus de Sousa como em Pombal, os professores Washington Farias, Luciano Queiroz e João Tavares apresentaram informações e avaliações semelhantes sobre os temas enfocados do Ciclo de Debates. Em Sousa, as atividades foram organizadas pelo professor Reginaldo França e em Pombal pelo secretário adjunto da ADUFCG, Francisco Evilásio.

Debates
Durante os debates, muitos estudantes demonstraram compreender os riscos que os serviços públicos estão correndo diante dos ataques das forças neoliberais, mas mostraram preocupação com as dificuldades de reorganização do movimento estudantil na UFCG e na apatia que a comunidade universitária tem demonstrado.
Vários professores participantes do Ciclo mostraram-se bastante preocupados com a perspectiva de funcionamento das universidades federais. A professora do curso de Serviço Social do Campus de Sousa, Juliana Oliveira, avaliou que a sociedade está muito passiva diante da retirada de seus direitos básicos e que deve ir para as ruas para ter condições de barrar as contrarreformas.

Fonte: ADUFCG - 08/08/2017