NOTÍCIAS

Nota de Repúdio ao avanço do conservadorismo na UFCG

Nós da Associação de Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG), vimos manifestar nossa indignação e repúdio ao ato organizado por grupos conservadores e reacionários nas dependências da UFCG no dia 14 de novembro de 2017, as 18h30, mais precisamente no Centro de Extensão Jose Farias Nóbrega.
O evento foi organizado e divulgado por uma série de organizações conservadoras de direita, dentre elas o “UFCG livre” e “Direita Campina”, com a participação de outros grupos conservadores externos à UFCG, como o Instituto Borborema. O evento teve como como chamada principal a exibição do filme “O Jardim das Aflições”, cinebiografia em homenagem a Olavo de Carvalho, pensador da extrema direita brasileira, o qual tem espalhado ódio e preconceito contra diversos grupos e partidos, sobretudo de esquerda e progressistas, ressuscitando um clima de caça as bruxas e perseguição que lembra os tempos sombrios da ditadura militar no Brasil.
Antes mesmo do evento iniciar, os estudantes, trabalhadores e comunidade como um todo foram surpreendidos com a intimidação de um grupo de pessoas com trajes militares que se amontoaram na portão principal da UFCG, muitos identificados como os “Carecas do Recife”. Trata-se de um grupo de Skin-heads, declaradamente racista e homofóbico, vestindo camisetas com a estampa do deputado federal Jair Bolsonaro e que adentraram a universidade gritando “Bolsonaro 2018”, um claro e inadmissível ato de manifestação político-eleitoral.
Já nas dependências do Centro de Extensão, o tom dos discursos proferidos indicavam um conteúdo discriminatório e preconceituoso, com forte apelo religioso e obscurantista, o que demonstra um ataque direto ao caráter laico e democrático da universidade pública, que deveria prezar pela produção séria e comprometida do conhecimento científico, pautado no diálogo, na pluralidade e no desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo, algo que foi negligenciado e negado a partir do momento em que a postura arrogante e intimidadora dos grupos ali presentes não admitiam nenhuma forma de contestação. Além disso, vários vigilantes terceirizados também foram alocados na porta do Centro de extensão, demonstrando desvio de função e, portanto, uma proteção da administração da universidade ao evento que estava ali ocorrendo.
Exigimos esclarecimentos da administração superior da UFCG, que permitiu e foi conivente com esse avanço do conservadorismo na instituição, colocando em risco diferentes grupos que convivem democraticamente nesse espaço (anarquistas, socialistas, comunistas e outros grupos progressistas), em uma situação de constrangimento e de ameaça inclusive à integridade física das pessoas.
A Reitoria precisa se manifestar e esclarecer publicamente tal fato, que não condiz com a vida universitária, com a defesa dos direitos humanos nem tampouco com os valores básicos que regem a Constituição Federal e o próprio Estatuto da UFCG.


Campina Grande, 24 de novembro de 2017

Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande