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Correios vão fechar 513 agências e demitir 5.300 trabalhadores. É preciso lutar para barrar privatização!

Os Correios anunciaram que pretendem fechar 513 agências em todo o país nos próximos meses e demitir em torno de 5.300 trabalhadores. É uma medida criminosa que mostra, mais uma vez, que o governo Temer está fazendo de tudo para sucatear a estatal e privatizá-la.

A decisão foi tomada em uma reunião da diretoria da empresa em fevereiro deste ano e vinha sendo mantida em sigilo, até que a notícia foi divulgada pelo Estadão, no final de semana (5).
Pego com “calças curtas”, o presidente interino dos Correios, Carlos Fortner, foi obrigado a confirmar a informação. Disse que o número de agências a serem fechadas e de demissões poderão ser ainda maiores, a depender de análises que continuam sendo feitas pela empresa.
Segundo a direção da empresa, a medida visa “modernizar” os Correios e extinguir agências que estariam muito próximas umas das outras. A direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) só não diz que o que estariam próximas são agências franqueadas, ou seja, agências que já são privadas.
Até mesmo a matéria no Estadão admite que a medida visa beneficiar as empresas franqueadas, entregando de mão beijada para empresários o filão de entregas de encomendas e postagens nas regiões.
Na lista de agências a serem fechadas há postos de atendimento com alto faturamento. Em Minas, das 20 mais rentáveis, 14 deixarão de funcionar. Em São Paulo, serão fechadas 167 agências – 90 na capital e 77 no interior.
Querem destruir a estatal para privatizar
Quem sofrerá os efeitos dessa medida são os trabalhadores, seja os que perderão os empregos, seja os que ficam e serão ainda mais sobrecarregados e prejudicados com piores condições de trabalho, assim como a população que ficará sem o serviço dos Correios, principalmente em áreas mais pobres.
Segundo o dirigente da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e do setorial dos Correios da CSP-Conlutas, Geraldinho Rodrigues, não é de hoje que os Correios e os trabalhadores vêm sofrendo constantes ataques.
“Todos os governos que dirigiram a estatal nos últimos anos não fizeram outra coisa senão lotear a empresa a serviço de interesses políticos e esquemas de corrupção. Agora, querem avançar no desmonte dos Correios para justificar o discurso de que é preciso privatizar de vez a empresa, entregando um patrimônio do povo brasileiro construído por mais de 350 anos para a iniciativa privada”, disse.
Geraldinho lembrou que no governo Dilma (PT) foi formulado o plano “Correios 2020”, com a promessa de “modernizar” a empresa. Na prática, tratava-se de entregar de forma fatiada a empresa ao setor privado e o ponto de partida a lei 12.490/11, que permite à ECT criar subsidiárias, abrir franquias fora do país, entre outras possibilidades, em parceria com o setor privado.
“A criação de subsidiárias como a CorreiosPar e o Postal Saúde são exemplos de medidas tomadas pela direção da empresa e pelo governo que só serviram para trazer prejuízos à estatal e aos trabalhadores. Com o Postal Saúde a promessa também era modernizar o plano “Correios Saúde” dos trabalhadores que era sustentável. Retiraram dos cofres da empresa para sua criação mais de R$ 1,45 bilhão e o resultado disso foi um prejuízo de R$ 1,6 bilhão, que jogaram a conta para os trabalhadores, com a conivência da Justiça. Numa decisão inédita, o TST revisou um acordo assinado da categoria para impor a cobrança de mensalidade no Plano de Saúde, o que vai levar boa parte dos trabalhadores a desistirem do convênio, por não terem condições de pagar devido aos baixos salários”, contou.
O ex-presidente dos Correios Guilherme Campos saiu do cargo para ser candidato a deputado federal, mas deixou seu sucessor Carlos Fortner, que também é indicado de Gilberto Kassab (PSD), para dar continuidade à política de destruição da estatal. Fortner extinguiu recentemente o cargo de OTT (operador de triagem e transbordo), sufocando ainda mais as condições de trabalho nos Correios e o atendimento à população.
“Estamos diante da flagrante dilapidação do patrimônio público. Conscientemente, o governo Temer e a direção da ECT estão atacando a universalidade e eficiência dos serviços Correios para favorecer interesses privados e esquemas de corrupção”, afirmou Geraldinho.
“Por tudo isso, nós da CSP-CONLUTAS convocamos todos os trabalhadores e trabalhadoras a se levantarem contra esse ataque aos direitos e empregos. É possível barrar todos esses ataques. Vamos à luta para impedir o fechamento de agências e as demissões, recuperar nosso convênio médico e barrar o processo de privatização dos Correios e os ataques aos nossos direitos”, disse.
“Fazemos um chamado para que as demais centrais sindicais CUT e CTB que também dirigem a categoria a virem construir a resistência e a luta conosco. Fora Temer! Fora Kassab! Fora Carlos Fortner! Fora todos os corruptos”, concluiu Geraldinho.

Fonte: CSP-Conlutas - 08/05/2018