Novo nome do MEC não tem experiência em Educação

10 de abril de 2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) exonerou o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e anunciou o professor Abraham Weintraub para o cargo. Os atos foram publicados, nesta segunda-feira (8) em edição extra do “Diário Oficial da União”.
Quem é Abraham Weintraub?
Abraham Weintraub é executivo do mercado financeiro há 20 anos. Até a semana passada, atuava como secretário-executivo da Casa Civil, segundo cargo mais importante dentro da pasta. Assim como o irmão Arthur, que também ocupa cargo no governo, Abraham foi apresentado a Bolsonaro pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
Weintraub também participou da equipe de transição do governo. Junto com seu irmão, foi responsável pela área de Previdência no período. Apesar disso, não integrou a equipe de Paulo Guedes, no ministério da Economia, que desenvolveu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019, da contrarreforma da Previdência. Os dois irmãos foram então alocados na Casa Civil. Arthur ocupa o cargo de chefe da assessoria especial da Presidência da República.
Na iniciativa privada, trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor. Foi sócio na Quest Investimentos e membro do comitê de Trading da BM&FBovespa.
O novo responsável pelo MEC é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Administração na área de Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desde 2014, atualmente licenciado.
O novo ministro assume envolvido em polêmicas e com um ministério que sofreu diversas demissões desde o início do governo, há 99 dias. O MEC já teve ao menos 14 baixas, sendo que dois cargos estratégicos ainda estão vagos: a secretaria da Educação Básica e a presidência do Inep.
Além da preocupante falta de experiência em educação e gestão pública, Weintraub também é seguidor do astrólogo e escritor Olavo de Carvalho. Demonstra alinhamento ideológico às pautas neoliberais e de extrema-direita e diz que irá combater o “marxismo cultural”.
“Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel”, disse ele no ano passado, em uma transmissão ao vivo citada no UOL.
Para Antonio Gonçalves, presidente do ANDES-SN, o novo ministro é uma “solução caseira” a Ricardo Vélez. Para Gonçalves, o ex-ministro saiu do cargo devido à sua incapacidade política e de gestão.
“O novo ministro não tem qualquer experiência na área da Educação e de Gestão Pública. No entanto, é uma figura híbrida. Tem alinhamento com as políticas econômicas neoliberais e também com a ideologia de extrema-direita desse governo, o que é extremamente preocupante. E já demonstrou desconhecer as reais necessidades educacionais do país”, avaliou o presidente do Sindicato Nacional.
Discurso de posse
Em seu discurso de posse, o novo ministro da Educação disse que é necessário “melhorar o serviço” prestado pelo ministério. Ressaltou que quer “acalmar os ânimos” e entregar os resultados esperados para melhorar a educação, sem aumento de gastos.
Afirmou ainda que não tem filiação partidária, e sim convicções políticas. “O que trago de diferente dos ministros anteriores: não sou filiado a partido político, sou um técnico, professor universitário, de uma universidade de muito renome. […] Tenho capacidade de gestão para entregar o resultado”, complementou.
Saída de Vélez
A saída de Vélez é a segunda baixa no ministério em pouco mais de três meses de governo. Em fevereiro, Gustavo Bebianno – da Secretaria-Geral da Presidência, foi demitido. Neste mesmo período, o Ministério da Educação (MEC) registrou aos menos 14 baixas em cargos de alto escalão (http://www.andes.org.br/conteudos/noticia/presidente-do-inep-e-demitido-em-meio-a-crise-do-mEC1). Além das várias trocas de nomes, a pasta publicou diversos editais com incongruências, que geraram crises internas e tiveram péssima repercussão. Além disso, diversas manifestações de Vélez causaram polêmica, foram alvo de críticas de apoiadores do governo e contribuíram para a sua demissão.

Fonte: ANDES-SN – Atualizado em 09 de Abril de 2019 às 18h12

Foto: André Borges / MEC

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