Plenária debate conjuntura e desafios para a mobilização em 2026

3 de março de 2026


O 44º Congresso do ANDES-SN teve início nesta segunda-feira (2), no Campus Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador (BA). Na noite do primeiro dia, as e os participantes debateram a conjuntura nacional e internacional e os desafios para a mobilização, durante a Plenária de Conjuntura e Movimento Docente.


As e os autores dos 15 textos enviados ao Caderno do Congresso para debate, apresentaram suas análises da conjuntura política, econômica, social e educacional no Brasil e, ainda, do cenário internacional. As falas trouxeram ainda propostas e análises para orientar a atuação política e sindical da categoria docente no próximo período.

Em comum, foi apontada a necessidade de unidade de ação para enfrentar a extrema direita nas ruas e nas urnas, de lutar em defesa dos direitos da categoria e dos serviços públicos e de construir estratégias para barrar a crise socioambiental sob uma perspectiva anticapitalista. A importância de fortalecer as alianças internacionalistas para combater o avanço do imperialismo sobre a América Latina e outros países do Sul Global e ampliar a solidariedade com Cuba, Venezuela e Palestina esteve presente em várias das apresentações.

No campo educacional, as e os docentes apontaram a urgência de reverter o subfinanciamento das universidades públicas, institutos federais e cefets, como forma de combater a precarização e plataformização do trabalho docente e seus impactos na saúde da categoria. Também foi destacado como prioritário o enfrentamento às propostas de reforma administrativa, que ameaçam os serviços públicos e o funcionalismo em todas as esferas.

Os debates reforçaram ainda a importância da luta por justiça social, na construção de uma sociedade antirracista e no combate ao machismo, à LGBTI+fobia, ao capacitismo, à violência do Estado, em especial contra as populações pobres e periféricas, e contra todas as formas de opressão. A unidade entre os povos do campo e da cidade também foi apontada como estratégia necessária para a resistência à destruição do meio ambiente e na construção de um outro modelo de sociabilidade.

Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

As falas destacaram, ainda, a importância do ANDES-SN, que completou 45 anos no último dia 19 de fevereiro, como ferramenta fundamental de luta da classe trabalhadora. Foi reafirmada a relevância de fortalecer a organização interna do Sindicato Nacional, reforçando sua autonomia, independência e construção pela base.

Os debates ressaltaram que a presença ns ruas em 2025, na luta contra a reforma administrativa e contra a escala 6×1, além da luta vitoriosa em defesa da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), da participação na Cúpula dos Povos durante a COP 30, o apoio na construção da II Marcha das Mulheres Negras e da III Marsha Trans, entre outras ações do ANDES-SN, mostraram que a mobilização coletiva continua sendo a ferramenta mais eficaz da categoria docente. Além disso, reforçaram a compreensão de que a defesa de uma universidade popular, gratuita, socialmente referenciada e antirracista é indissociável da luta contra o capital e em defesa de um novo modelo de sociedade.

Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul do ANDES-SN que presidiu a plenária, lembrou que os debates desse primeiro dia irão orientar os trabalhos nos grupos e as deliberações dos planos de lutas setoriais e geral do ANDES-SN, nos próximos dias do 44º Congresso. A diretora pontuou que grande parte dos textos apresentados destacaram desafios comuns, tanto do ponto de vista internacional como nacional.

“Me parece que a base do ANDES-SN compreende as eleições de 2026 como um desafio bastante importante. A importância de derrotar a extrema direita, não apenas nas urnas, mas também nas ruas, foi recorrente nas avaliações. A gente verifica o desejo e a necessidade da nossa base de nos mantermos extremamente mobilizados, nesse ano de 2026, para enfrentar, obviamente, não só a extrema direita, que vem forte, mas também uma série de outros desafios que acabam comprometendo a nossa capacidade de organização”, avaliou.

Para Fernanda, ficou nítido, nas apresentações e nos debates que seguiram, a necessidade do ANDES-SN assumir o protagonismo dessas lutas. “A gente precisa continuar instigando a nossa base para se organizar cada vez mais e enfrentar os diferentes desafios que vão se apresentar ao longo do ano de 2026”, concluiu.

Além de Fernanda Mendonça, conduziram a mesa da Plenária de Conjuntura, Jacob Paiva, 3º secretário do ANDES-SN, Virgínia Viana, 2ª vice-presidenta da regional Nordeste I, e Márcio Wagner, 1º vice-presidente da regional Norte II.

Com o tema central “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, o 44º Congresso acontece até dia 6 de março, sob organização da Regional Nordeste III do ANDES-SN e do Coletivo Democracia e Luta da UFBA.

Denúncia
No início da Plenária, Joelson de Carvalho, vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal de São Carlos (Adufscar SSind.) denunciou como a Proifes-Federação segue atuando com uma política antidemocrática a antissindical contra docentes da instituição. Segundo ele, representantes da diretoria anterior da Adufscar SSind. estão sendo processados individualmente, como forma de retaliação por sua atuação no Grupo de Trabalho de Oposição Sindical do ANDES-SN.

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Fonte: ANDES – SN – Publicado em 03 de Março de 2026 às 16h21.

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