A interseção entre o avanço de agendas ultraneoliberais, a ascensão das forças de extrema-direita que se vê avançar no Brasil e no mundo afora, e a segregação político-ideológica que vem afetando a classe trabalhadora, tem corroborado com o agravamento de uma crise que se alastra há vários anos no movimento sindical, e criado um ambiente hostil à organização coletiva que constitui e dá sustentabilidade à luta sindical. Essa realidade vem sendo discutida e combatida pelo ANDES-SN, considerada a maior entidade sindical de primeiro grau do Brasil, e se vê refletir no seio das associações docentes que compõem esta, dentre as quais está a ADUFCG.
Não bastasse a forte crise de representatividade que vem afetando não apenas esta, mas boa parte das sessões sindicais, e que se vê, sobretudo, por meio da redução significativa do número de filiações, e apontando, por sua vez, para a necessidade de transformações estratégicas e urgentes na concepção organizacional sindical, a ADUFCG vem enfrentando um dos mais agravantes e preocupantes efeitos dessa conjuntura nefasta aqui destacada. Trata-se do fenômeno de segregação política decorrente de uma crise de embates e conflitos internos, fenômeno este que vem ganhado força no interior de várias AD´s e que costuma se manifestar de forma mais explícita diante dos processos de disputa eleitoral, como o que se viu há poucos dias no âmbito desta associação.
Como foi possível de ser observado, o processo eleitoral para sucessão de diretoria se deu em meio a um clima de tensão iniciado em grupos de mídias sociais e posteriormente explicitado em assembleias marcadas por uma nítida polarização que terminou por dividir a base sindical em grupos de extremos opostos. Algo, até onde se tem notícia, nunca visto na história da ADUFCG e que, inclusive, motivou a disputa inusitada entre duas chapas eleitorais, coisa que não se via há décadas e que levou a um resultado ainda mais inusitado que foi a diferença eleitoral de apenas um voto entre as chapas concorrentes à diretoria da entidade.
Mas, paralelo à disputa eleitoral, o que ficou também evidenciado foi uma certa onda de ataques verbais agressivos desferida por determinados agentes externos às chapas eleitorais, contra a diretoria que estava em curso e também contra a comissão eleitoral que trabalhou para a realização da eleição. Essa onda de ataques, pelo que se viu claramente, advogou todo o tempo em defesa de uma das chapas, por meio da qual, tentou-se abortar a continuidade de um modo de proposta de gestão político e administrativa sindical que é violentamente atacada por aqueles que parece não tolerar, nem lidar com o que lhes é diferente.
O que chamou a atenção, foi o teor dos ataques feitos por meio de textos publicados em grupos de whatsapp, cuja intenção clara era a de detratar e macular os membros que atuaram a frente da diretoria, e os docente que se predispuseram em contribuir para a realização do processo eleitoral e, desta maneira, colaborar com o ato democrático de eleição dos dirigentes da sessão sindical. Por trás da onda de ataques constituído por denúncias sem nenhuma fundamentação e total falta de ética e respeito aos seus pares e à democracia que tanto a categoria defende, ficou evidente uma clara postura de extremismo e violência totalmente gratuita que em nada contribui positivamente para os rumos da ADUFCG.
Manifestações que, aliás, só reforçam o perigo que o fenômeno de segregação representa para o movimento sindical e o bom funcionamento das sessões sindicais. Afinal de contas, enquanto espaço de lutas, é sabido que os sindicatos historicamente, são marcados por embates de ideias, divergências, debates e discussões, muitas delas acirradas e fervorosas. Por outro lado, é inegável que esse mesmo espaço também é marcado pelas convergências de ideias, de ideologias, utopias e, sobretudo, da união de forças daqueles que fazem as associações docentes e o movimento sindical como um todo e que como se sabe, é plural, diverso e por isso mesmo, democrático e enriquecedor.
E é isso que não se pode perde vista. Do contrário, estaremos alimentando uma ambiência e convivência sindical marcadamente tóxica e adoecedora. Algo que aliás, vem afastando os poucos que decidem se engajar efetivamente nas gestões das sessões sindicais, e repelindo aqueles que poderiam se interessar pela luta sindical. É inaceitável que uma entidade com o histórico que tem a ADUFCG seja comprometida pela postura e atitude dos que colocam os seus interesses políticos segregadores acima do bem coletivo.
Esses que costumam ser avessos a diferença de concepção de gestão sindical, e que não toleram a diversidade de pensamentos e ideias, bem como, a concepção de ambiência sindical regida pelo afeto, sentimento este que, aliás, parecem desconhecer totalmente. Que este sentimento possa reger os novos rumos da ADUFCG, e fortalecer os que estão unidos na luta que não embrutece, não enfurece, mas que fortalece o propósito de uma universidade pública e uma sociedade melhor para todos e todas!